segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Arte da Chantagem

Pai e Mãe ♥,

Vocês devem saber que eu sou muito melhor escrevendo do que falando. Eu acho, pelo menos. Porque se eu não estou simplesmente lendo, meu pensamento vai longe e eu perco o raciocínio, embaralhando tudo o que eu deveria dizer. E é por isso que eu preferi deixar esse bilhetinho (nem tão inho) ao invés de encará-los pra me explicar e pra pedir :3
Porque, claro, tem um pedido. Sempre tem, visto que eu tenho dezesseis anos e AINDA posso pedir, eu acho. Bem, pedir eu posso, vocês consentirem é outra história; mas o fato é, vocês consentem. E isso é uma coisa que eu valorizo muito, embora não demonstre e às vezes vocês simplesmente usem isso como argumento contra mim. Eu não preciso! Sei muito bem do tamanho da minha liberdade e eu sei que eu a tenho porque vocês confiam em mim. Porque eu não minto, porque eu não bebo.
Menti - por ingenuidade e não por maldade, eu não sabia onde era a Led Slay - e bebi. Mas foi uma vez. Uma vez e eu SEI que isso não vai se repetir como vocês também sabem, e como acham que devem me privar mais das coisas porque daí, quem sabe, eu valorize mais. O fato é que eu aprendi a lição, e eu tenho uma história divertida pra contar e, depois do susto, foi engraçado. Mas na hora não foi. E é do que eu vou me lembrar, do como eu me senti mal, suja, envergonhada por ter me colocado naquela situação, tendo ninguém a culpar exceto eu mesma.
Então eu peço desculpas. Do fundo do coração, eu os desapontei e sinto muito. Mas eu também vou pedir pra vocês lembrarem que eu tenho dezesseis anos e, apesar de tentar, eu não sou perfeita. Só que eu vou aprender com os meus erros pra não repeti-los, e continuar errando de outras maneiras até que eu possa acertar em tudo.

Essa foi a minha explicação. Agora, eu vou pedir o voto de confiança de vocês - e dinheiro, porque vocês que trabalham e eu só vagabundeio (mas eu tenho lavado a louça e arrumado minha cama todos os dias) - para me deixarem ir no Blackmore (que se localiza na Alameda dos Maracatins, 1.317, Moema) hoje à noite, 19/12, com a Jéssica, o namorado dela e o Ricardinho; e amanhã, 20/12, no lugar que fez vocês me odiarem um pouquinho, a Led Slay (que fica na av. Celso Garcia, 5765, Tatuapé), também com a Jéssica, e com o Raphael, o Fernando, a Polly, o Leandro, a Stéfanie, o Nícolas, a Paloma, o Vinícius, dois Gabriéis e o Guillermo, possivelmente mais gente. Correndo riscos NOS DOIS ambientes, e no de maior perigo, também acompanhada de um grupo maior.
Nem que esse seja meu presente de natal, até porque eu não pensei em um (a não ser que vocês queiram me dar uma tatuagem). E, se eu ainda puder abusar, pra ir no show do Matanza, que acontece de ser uma das minhas bandas preferidas, domingo com o Rapha e o Le, no hangar 110, que fica no Bom Retiro.
TOTAL (transporte público e alimentação incluídos) ≈ R$ 90

É isso. :D

Um beijo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Desconcerto

É, eu sei que eu provavelmente vou te chamar numa hora importuna, meio tarde pra chegar, meio cedo demais pra sair, mas eu preciso mesmo te dizer antes que tudo acabe que você é pra mim a coisa mais desconcertante do mundo, do meu mundo.
Porque eu que sou sempre assim tão confiante, tão cheia de mim, sempre com uma resposta na ponta da língua e uma dissimulação qualquer pra fugir do que me intriga – e nada me intriga. Mas você acaba com tudo isso, você é assim tão mágico, tão impenetrável, tão incompreensível, e eu mergulho em você tão profundamente que esqueço de mim, ainda que sem deixar de lembrar. Você assim, tão cheio de vírgulas, parece que desconhece os pontos finais. E apesar de entrar nessa estranheza, eu não me sinto perdida. Quanto mais eu penetro nessa escuridão que é o seu ser, mais eu te percebo e menos me encontro.
Não posso negar assim que eu às vezes gosto e às vezes nem um pouco, assim tanto quanto às vezes eu te amo e tantas outras eu te odeio. Que você é assim, sempre tão carinhoso e tão amargo, e me toca e não me toca e eu fico assim querendo me soltar e querendo me jogar nos seus braços, e que eu preciso tanto do toque dos seus lábios no meu quanto da distância entre eles. Mais ainda, um dia sem você é inimaginável, mas chega a ser um alívio quando acontece depois de tanto tempo de contato desgastante...
Como é que pode a gente viver assim, desse jeito, com essas contradições dia após dia e tanto gostar e tanto nervoso e tanta simpatia e sempre as coisas boas que compensam as ruins? Acontece. E eu me perco cada vez mais te encontro cada vez mais eu me perco cada vez mais eu te encontro cada vez mais e mais e mais. A gente se encontra e se desespera assim, nesse infinito desconcertante de coisas inefáveis chamadas sentimento.



P.S.: No momento, eu amo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tapa na cara

Não sei como, por quê, muito menos onde, mas hoje definitivamente caiu a ficha: sou vestibulanda ano que vem. Ainda tenho dúvida entre duas carreiras, uma relativamente fácil de entrar, de renda dependendo da intensidade de trabalho, digamos que média, que ainda me abre a oportunidade de outras faculdades ainda em "juventude"; a outra, concorridíssima, de formação demorada, que exige uma entrega imensa à profissão mas traz uma renda ótima.
Falo sobre a faculdade de Letras e Medicina, respectivamente. Seja como for, exijo que meus estudos do ensino superior se dêem em uma faculdade pública: dá-lhe USP. Ambas me agradam e me assustam, cada qual num aspecto distinto mas que se encontram no aspecto humano. O contato com as pessoas - sim, formada em Letras me tornaria professora, invariavelmente seguindo os passos de meus pais; fica aí um fato para aqueles que ainda não sabem, você se parece muito mais com eles do que imagina - é um requisito obrigatório em qualquer profissão que eu vá seguir. Jamais me imaginaria trancada numa sala, trabalhando com números e intrumentos, sendo o máximo de contato interpessoal a relação chefe-subordinado.
Quero marcar a vida de alguém fazendo algo direito. Envolver-me nessa ligação profunda que um médico da especialização que eu gostaria, Oncologia, tem com seu paciente, tanto quanto um professor pode ter a simpatia extrema de seus alunos, como eu tenho com alguns professores.
O que me interessa mais é fazer as coisas com maestria, não importa a escolha. Já pesei o futuro como profissional da saúde e como educadora. Claro que não depende só de mim, mas também não é de todo independente; também posso mudar de idéia bem no meio do caminho. Só espero, um dia, acertar na minha decisão, achar aquilo que me faça bem, realizada. Pelo menos a minha escolha já é limitada, passa longe das ciências exatas e cai num abismo de humanas, com uma pendência leve às biológicas. Pessoas, pessoas.
Enfim, é normal ter dúvidas. Eu invejo aqueles que sabem desde pequenos o que querem fazer. Meu sonho infantil parece bobo, como tudo que tivemos quando criança começa a parecer quando crescemos, quando nos damos conta de que aquele tempo já passou - queria ser escritora. Tento, tento, não me acho boa o suficiente, não confio em mim. Escrevo porque gosto, não porque eu ache que alguém vá gostar, bem ao contrário. Não sou a Clarice, a Lygia, a Cora, nem posso ser, não tenho esse dom de penetrar tão fundo em minha própria essência e espelhar a de outras pessoas: eu sou as banalidades. Aflições comuns, alegrias comuns. Mas humanas.
E se continuar tão humana, devo dizer que sinto muito, minha ciência biológica, mas meu sangue é escrito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Perfeição

Muitas pessoas acreditam que o sete é um número mágico. De fato, ele está relevantemente presente em todos os aspectos que se pode imaginar. Sete são as maravilhas do mundo, as notas musicais e os anões da Branca de Neve. Pulamos sete ondas no Réveillon, são sete os algarismos romanos e Roma foi fundada entre sete colinas. A carta de Pero Vaz de Caminha tinha sete páginas, sete rainhas na história chamaram-se Cleópatra, são sete os cargos eletivos nas eleições brasileiras. Mais ainda, são sete as artes e as cores do arco-íris. Também se tratam de sete os sábios da Grécia, as cidades sagradas da Índia, as linhas de orixá da umbanda e os deuses da antiga mitologia chinesa.
O número sete tem, ainda, um significado especial no cristianismo: em sete dias Deus criou o mundo – embora, como saibamos, o sétimo foi o dia de descanso e, talvez por isso, o mais útil –, são sete os livros do Antigo Testamento, o Pai-Nosso e a Ave Maria são compostas por sete orações cada uma. Sete pecados capitais, sete virtudes cardinais, sete sacramentos, sete chagas de Cristo. Eu não sou cristã, mas acho que numa coisa eles acertaram: sete é o número da perfeição.
Ele, coitado, que não deveria nunca ser o vilão de situação nenhuma, foi se meter logo na diferença de idade entre duas pessoas que se gostam, que se conheceram num por-acaso logo no dia 29... do sétimo mês do ano. Inconveniente, embora a culpa não seja dele, e sim de quem acredita que sete seja um número muito alto, deixando bem claro que eu não fazer parte desse grupo.
Acabaram bem por culpá-lo da separação, do impedimento, da covardia. Covardia é jogar nas costas de um número uma responsabilidade que é sua, só sua, de mais ninguém e que pode muito bem ser desconsiderada. Sei, porém, que a magia do sete não se esvaiu nesse caso; tenho certeza da beleza que é ao estarem juntos.
Engraçado o fato dessas duas pessoas nunca terem chegado a passar sete horas juntos, até seis, mas nunca sete. Talvez, talvez, ao chegarem nesse tempo não possam mais se separar. Talvez não haja mais desculpas. Talvez, a perfeição. E por que não?

domingo, 2 de novembro de 2008

E Sobre o Amor

Amor, pra mim, é sorrisos e abraços daqueles bem demorados, dos mais aconchegantes, dos infinitos. Quando a gente sabe que mesmo depois "DA" briga não vai conseguir parar de pensar na pessoa e rir de alguma lembrança que tu tenha com ela - e mais do que isso, lembrar constantemente, meio a contragosto, meio muito querendo. Amor é saudade depois de meia hora, rir de besteira e usar os cinco sentidos a seu favor, ou, dependendo do ponto de vista, contra você mesmo; mas mais do que tudo, gostar disso. Pensar que talvez, e provavelmente, valha a pena qualquer coisa, inclusive se contradizer algumas vezes, e que o importante seja como esse alguém consegue te fazer sentir até nas piores horas.
Até aí o amor pode ser amigo, quase sempre começa como um amor amigo: de repente, você começa a se imaginar beijando essa pessoa, acordando ao lado dela, fazendo sexo com ela. Quem não consegue aceitar essa visão acaba matando o amor amigo e subvertendo o outro amor, que não tem nome nem limite.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pedro,

Hoje eu decidi que quero escrever mais cartas. As pessoas estão perdendo esse hábito, e eu acho tão bonito! Além disso, eu sei lidar melhor com as palavras quando são manuscritas, então nada mais óbvio. Não deveria estar escrevendo pra você, entretanto. Mas eu quero.
E uma das coisas legais de se falar sobre é essa tal de S-I-N-C-R-O-N-I-C-I-D-A-D-E, dito assim bem devagar que é pra não travar a língua, sincronicidade. Bem, eu acho que você já ouviu falar sobre, mas se não eu explico assim bem resumidamente: sincronicidade são “coincidências significativas”. Quero dizer, coincidência é quando a gente chega a um lugar e tem alguém usando uma roupa igual à nossa. Esse tipo de coisa sem graça que não dá nem vontade de comentar e tudo.
Mas vezenquando acontece uma coincidência mágica, que os mais crentes gostam de chamar de destino. Sincronicidade parece só uma explicação mais ou menos científica para isso, mas não acho que seja. Porque “destino” é uma coisa meio óbvia, sabe? Como se qualquer atitude fosse culpa dele. Sincronicidade quer dizer que as aparentes coincidências aconteceram realmente por uma razão e, na verdade, a gente identifica muito facilmente.
Posso dar, sem dificuldade, um exemplo de sincronicidade, e eu sei que você sabe em que eu tô pensando. Sei, também, que a gente deve deixar o passado para trás, mas não é por isso que devamos ignorá-lo ou fingir não sentirmos saudades. Quero dizer, sei lá se isso ainda significa algo para você, mas eu sinto.
É óbvio que eu me refiro à noite em que nos conhecemos. Acho que nunca vou conseguir parar de pensar nela como algo que deveria acontecer, entende? Não acho que exista essa história de amor à primeira vista, mas com certeza existe a pessoa certa, na hora certa; e no meu caso, você que estava lá. Você estava lá no exato dia em que eu passei a achar que talvez, TALVEZ, eu estivesse perdendo muito tempo com a pessoa errada.
E eu gostei de você tão logo te vi, Deus sabe que eu gostei de você desde o começo – só eu que demorei um pouco para perceber que era idiota tentar evitar algo do gênero quando se passava tempos e tempos vendo suas fotos, esperando seus scraps, pensando no que poderia te dizer e procurando pontos em comum. Duas comunidades. Almas gêmeas, melhor, Soulmates a partir daí, e foi você quem começou, SUA CULPA.
Soulmate, eu nunca fui o amor da vida de ninguém, mas nem Deus sabe o quanto eu quis ser da sua. E agora eu sei que eu tenho é que me afastar de você, e que você vai deixar porque não é mais o mesmo comigo, e eu acho que já me machuquei bastante. E eu queria, puta merda, como eu queria que doesse me ver partir. Como eu queria ter ainda por onde ver que, poxa, você se importa, que você sente também o que eu sinto. Porque uma palavra ou um gesto seu e eu nunca mais desejaria o desapego e a frieza.
Mas não é que eu não saiba viver sem você, porque eu sei. Eu só não quero. E acredite quando eu digo que você se tornou parte da minha vida e que se algum dia nunca, nunca mais nos falarmos posso ser muito feliz, mas vou sempre sentir sua falta. Ah, porra, eu queria tanto, tanto que você fizesse algo; mas eu não acho que vá. Tudo bem.
O que é real é o que fica, Pedro.
SOULMATE ♥ SOULMATE

Tarsila.

Pedro,

Tenho me sentido demasiado sozinha nos últimos tempos. Você também é culpado por isso, mas eu ainda me sinto mais confortável conversando contigo do que com qualquer outra pessoa, embora eu supostamente devesse ter muita gente com quem fazê-lo. Mas não parece que eu tenho, embora quem realmente já não faça parte de mim seja você.
Quer saber como é a sensação de estar sozinha no mundo, não conseguir se abrir com ninguém, sentir-se a caminho da câmara de gás toda vez que se sai da cama, como se o mundo todo conspirasse contra você? Bem, imagine morrer lentamente, perdendo um pedaço de si a cada dia. É assim que as coisas estão.
Chegou tudo num ponto onde eu preciso fazer coisas só para chamar atenção, e eu odeio quem faz isso. Mas pelo menos assim eu sou percebida. Sempre quis ser invisível, e agora que as pessoas fingem que eu sou, quero que me enxerguem. Até a alma.
Penso constantemente no quão maçante eu sou, o incômodo que eu causo para as pessoas. Pela primeira vez na vida, só me sinto confortável, segura, protegida em casa. Porém a falta de ocupação ali tem me trazido pensamentos horríveis, sabe. Mórbidos. Sim, Pedro, eu tenho pensado constantemente na morte. Isso soa depressivo, eu sei, mas é o que acontece. Todos os dias eu penso em como seria um alívio ter uma doença que deixasse meus dias contados, e um tumor é meu preferido. Eu já não tenho muitas expectativas na vida; quando olho pro futuro, a única coisa que importa é a Anita. Apego-me à lembrança de alguém que nem existe...
Estou tão cansada de tentar consertar as coisas e, depois, de fingir que está tudo bem. Nunca está, meu querido. Passei tanto tempo tentando ajudar os outros com as suas vidas que esqueci de me preocupar comigo, e agora tudo desmoronou. Até você eu perdi... talvez ainda não por completo, mas esse é o rumo que as coisas estão tomando. Quero aproveitar enquanto essa perspectiva não se torna um fato e escrever-lhe algumas coisas. Nem sempre boas, freqüentemente despedidas, que talvez não cheguem a ser entregues. O que importa não é que você leia; mas que eu escreva. É importante para mim.
Tenho uns dias muito filhos da puta. Deveriam ser bons dias, mas nem os melhores dias são realmente bons. Sempre sinto sua falta, mais do que todas as outras faltas, porque com você é uma questão de não-ver, não-tocar, não-ouvir. Porque longe é fácil a gente se ignorar, mas e frente-a-frente? O problema é a vontade de ter isso tudo, constante. Em mim, eu sei que você evita.
São tantas dúvidas que me assolam, Pedro, que eu acho impossível haver mais alguma certeza, além do sentimento que eu tenho sempre por esse tanto de pessoas que agora me doem. Algumas dessas dúvidas só você pode matar, por exemplo, será que você sente a minha falta como eu sinto a sua? Sou parte importante da sua vida, gosta de mim, se importa comigo ainda? Eu sempre vou. E se eu falar disso para alguém, sei que vão me achar idiota; na verdade, parece que estão sempre me achando, talvez eu seja. Mas eu tenho tanto medo que, se eu não continuar sendo o que eu sempre fui contigo, se eu me afastar, você me esqueça por completo. Que descubra que eu sou assim, uma pessoa substituível. É que talvez eu seja.

Amor,
Tarsila.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pedro,

Eu vim correndo escrever. Acabei de desligar o telefone, peguei papel e caneta e pensei nesse início.
Então, absolutamente primeira e última briga que a gente teve. Talvez seja mesmo a coisa certa a fazer, talvez não; mas não importa, porque é o que VOCÊ acha certo, e é só isso que interessa, não é? Sempre dependeu tudo de ti, do que tu queria e estava disposto a fazer. E agora tu foge de mim, me culpando pela SUA decisão.
Não sei o que mudou e como mudou tão rápido, embora eu saiba que não é a primeira vez que tu me faz chorar, que tu me dói. Gostar, Pedro, não é certo ou errado, apenas é. E é um ser difícil, dolorido. Aos dezesseis anos, eu sei o que é compromisso e, de bom grado, o teria contigo. Isso você não pode jogar nas costas da minha idade, como sempre faz, foi a sua escolha e, como todas as outras, aceitei conviver com ela, porque eu ainda teria o que mais importa: você. Como o melhor amigo, mais querido, Cacto, Soulmate.
E é isso o que não dá pra aceitar perder. Daí você diz que a gente não se conhece... por que ser tão hipócrita? É pouco tempo, eu sei, dois meses e meio, mas não dizem que a intensidade supera o tempo? Fato é que, se você aceitasse essa concepção, estaria negando seus próprios princípios, porque teria que admitir que essa regra se aplica a gurias de dezesseis anos, não é?
Você disse pra eu me pôr no meu lugar, mas e você? Já esteve nele? Não, e tampouco eu pediria que tu o fizesse, porque não é legal, especialmente agora que eu perdi uma das coisas mais legais que havia. Como pode não ser legar ser você, mas eu não gostaria de saber como é. Eu não sei se gostaria de poder ser fria, quase cruel, como é o caso, e eu me acho realmente mole. E grudenta. E sem noção de limite de algumas coisas e até, vezenquando, ingênua. Mas eu gosto de não ter medo de mergulhar bem fundo nessas aberturas no chão que a gente encontra por aí, sem pensar se vai ter um colchão ou uns pregos enferrujados lá embaixo.
Portanto, embora pareça completamente o contrário, eu respeito a sua decisão. Não a aceito, e no fundo você sabe que talvez não aceite também. Só que eu sou plenamente consciente que sempre te terei comigo, é isso que dói. Pensar que uma coisa que mal começou já vai acabar.
Lembro da primeira vez que a gente se viu – “perceba como a autora mantém um conflito constante entre seus sentimentos e, embora deseje transparecer, não consegue cultivar raiva do interlocutor, sendo substituída logo por uma representação clara de pensamento nostálgico” –, tua camiseta da USP, seu olho no meu, borboletas no meu estômago. Eu. Você. Naquela noite, havia muitas estrelas no céu, e eu não inventei isso pra ficar bonito, sabe, tinha mesmo. A lua também estava bem clara no céu (e eu acho injusto dizerem que ela não tem luz própria, sendo linda como é), e era uma noite quente em pleno inverno. Pedro, era uma noite especial, singular. Como você e eu. (ISSO que é viadagem, nem vou cobrar a aula, tá?). Sinto falta daquela noite desde o momento que entrei no carro pra ir embora com a Jé, eu pensei que nunca mais te veria. Perspectiva amedrontadora, and I MEAN it.

- UMA CURIOSIDADE –
Faltavam 16 dias para o seu aniversário
- UM FATO –
Esse é o tipo de coisa que atravessa os limites de “coincidência”.

Já esqueci o que eu escrevi no começo, e não vou reler. Dessa vez eu não quero me arrepender de uma palavra sequer e, desculpa trazer isso à tona novamente – já perdi tudo que estava em risco. E, se é pra não se arrepender, que seja dito tudo, né?
Nos últimos tempos (uma das poucas expressões ambíguas de que não gosto), você tem se afastado de mim. Pouco a pouco, um movimento quase imperceptível, mas eu te senti cada vez mais distante. Dizendo, sem remorso, coisas que poderiam me magoar, e realmente magoaram. Evitando qualquer possibilidade de encontrar-se comigo, sem telefonemas... é bastante provável que eu esteja errada, mas isso pareceu medo. Temia, porque você sabe o que acontece quando a gente entra em contato, e sabe por que acontece. Estaria você fugindo disso? Presunçosamente, me peguei pensando que talvez, TALVEZ, você tenha procurado um motivo para fugir de vez. ISSO eu até aceitaria, seria até lisonjeiro. Mas me parece mais provável que seja porque você é um covarde idiota que tenta desesperadamente crescer, e peca de forma escancarada por tentar seguir o caminho mais fácil ao me ver, portanto, como uma criança imatura que ainda não sabe merda nenhuma sobre a vida, sobre responsabilidades, sobre crescer. Não, Pedro, eu sei que crescer não é fácil. E crescer não é evitar, é enfrentar. Não é desistir e fugir, é ficar e lutar. Nem sempre as razões são honráveis, é verdade, e eu egoisticamente tô tentando lutar pela minha felicidade. Porque é isso que você, senhor idiota covarde, me traz. Na maior parte do tempo, e quando você não escancara seu pensamento sobre a minha idade pejorativamente. Mas né, eu sei que é difícil convencer alguém cujo nome é “pedra” a aceitar que há a possibilidade de erro, quando vindo de si, e a possibilidade de perdão/aceitação, quando dos outros. Provavelmente, só uma pessoa cujo nome signifique “paciência” e tenha muita coragem, ou vice-versa, e que já tenha aceitado aquelas duas possibilidades seja capaz de tentar. Eu sou o “vice-versa”. E porque eu sei que você não me chama de Soulmate à-toa, visto que as palavras têm substância, eu tenho essa paciência.
Obviamente, eu espero e quero que tu volte atrás, que não seja realmente o ponto final, porque “tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?” (Caio F.). Mas eu não acho que você vá. Eu sou orgulhosa de menos, você é demais. Você nunca se abre, mas há um momento em que é preciso fazê-lo e, mesmo odiando, eu faço. Tu é uma pessoa insubstituível, por não ser só mais um cara que me comeu, me chutou e de quem a mágoa fará falar mal aos quatro ventos. Não: contigo, as coisas boas sempre compensaram; a saudade sempre foi infinita; a afeição, ímpar. Me deu um tapa na cara quando eu precisei, talvez eu estivesse precisando desse também.
Tem uma frase que eu te mandei em depoimento, não sei se fez muito sentido pra ti, mas “no one else will have like you do”. No auge dos 16 anos de minha vida, eu sei que algumas experiências são únicas. E é raro, mas acontece de algumas delas ficaram marcadas... perpetuamente, e para bem. Você é uma das experiências.
Sabe, eu quero te dizer tanta coisa ainda... minhas próprias frases se misturam com as citações que me lembram você em tudo. Começando pelo Wonderwall, “there are many things that I would like to say to you, but I don’t know how”. Dispensa maiores explicações. Seguimos com “A” música – Nothing Else Matters. Dela, não dá pra tirar um trecho. E acho que depois de escrever “you’re a part-time lover and a full time friend”, eu não precisaria de mais uma palavra sequer.
Mas eu preciso.
De uma frase do Caio.
De uma frase minha.
O que a voz, e não as mãos, deveriam expressar.
Temo que eu, na presente situação, mal tenha força em mãos para escrever, quanto mais voz para falar. Mas foda-se.
Eu te amo.
Sem medo de me arrepender: eu vivi uma vida contigo, em dois meses e meio.
“Amo você como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor”.
(E esse foi o Caio Fernando Abreu falando por mim, como já é normal).
Sei lá, agora eu preciso me desculpar por uma porção bem-servida de coisas, sem a hipocrisia de dizer que mudarei tudo isso pra você ficar, porque elas pertencem a mim. Não aos meus dezesseis, mas à pessoa que eu sou, à minha essência.
Portanto, me desculpe por ser essa pessoa muitas vezes maçante, a quem às vezes falta percepção de limites. Desculpa se eu fui grudenta e por ter feito você se importar comigo (de verdade, seria mais fácil ter tido seu desprezo, ao invés dessa compatibilidade instantânea) e por essa pseudo carta cheia de sentimentalismo, viadagens e coisas que parecem mentira. No duro, você não sabe o quanto eu me culpo por quaisquer coisas, e eu sinto muito.
Mas se precisar, Soulmate, eu estarei... mais ou menos porrr perrrto. Anytime.


Com a sua falta antecipada e a maior sinceridade possível,
Tarsila.
(Caipira, Caips, Soulmate, Alma Gêmea, Ursinha,
Branquela, Branks, Criança, Neném, Bebê...
não importa do que chama, mas QUEM chama).


P.S.: Em duas semanas, quinta-feira, dia 30, seriam 3 meses e 1 dia. A gente quase conseguiu ultrapassar a “linha de risco”... e você é pra sempre, mesmo assim.
P.P.S.: Você vai pagar meu tratamento de tendinite.
P.P.P.S.: Eu guardaria essas folhas, só p/ me chantagear quando eu for famosa. :)
P.P.P.P.S.: Se você precisar de uma transfusão de sangue, às ordens. Medula, whatever. Só não pede o coração, que nele tu já habita um dos lugares mais bonitos.
P.P.P.P.P.S.: /gay.