Tenho me sentido demasiado sozinha nos últimos tempos. Você também é culpado por isso, mas eu ainda me sinto mais confortável conversando contigo do que com qualquer outra pessoa, embora eu supostamente devesse ter muita gente com quem fazê-lo. Mas não parece que eu tenho, embora quem realmente já não faça parte de mim seja você.
Quer saber como é a sensação de estar sozinha no mundo, não conseguir se abrir com ninguém, sentir-se a caminho da câmara de gás toda vez que se sai da cama, como se o mundo todo conspirasse contra você? Bem, imagine morrer lentamente, perdendo um pedaço de si a cada dia. É assim que as coisas estão.
Chegou tudo num ponto onde eu preciso fazer coisas só para chamar atenção, e eu odeio quem faz isso. Mas pelo menos assim eu sou percebida. Sempre quis ser invisível, e agora que as pessoas fingem que eu sou, quero que me enxerguem. Até a alma.
Penso constantemente no quão maçante eu sou, o incômodo que eu causo para as pessoas. Pela primeira vez na vida, só me sinto confortável, segura, protegida em casa. Porém a falta de ocupação ali tem me trazido pensamentos horríveis, sabe. Mórbidos. Sim, Pedro, eu tenho pensado constantemente na morte. Isso soa depressivo, eu sei, mas é o que acontece. Todos os dias eu penso em como seria um alívio ter uma doença que deixasse meus dias contados, e um tumor é meu preferido. Eu já não tenho muitas expectativas na vida; quando olho pro futuro, a única coisa que importa é a Anita. Apego-me à lembrança de alguém que nem existe...
Estou tão cansada de tentar consertar as coisas e, depois, de fingir que está tudo bem. Nunca está, meu querido. Passei tanto tempo tentando ajudar os outros com as suas vidas que esqueci de me preocupar comigo, e agora tudo desmoronou. Até você eu perdi... talvez ainda não por completo, mas esse é o rumo que as coisas estão tomando. Quero aproveitar enquanto essa perspectiva não se torna um fato e escrever-lhe algumas coisas. Nem sempre boas, freqüentemente despedidas, que talvez não cheguem a ser entregues. O que importa não é que você leia; mas que eu escreva. É importante para mim.
Tenho uns dias muito filhos da puta. Deveriam ser bons dias, mas nem os melhores dias são realmente bons. Sempre sinto sua falta, mais do que todas as outras faltas, porque com você é uma questão de não-ver, não-tocar, não-ouvir. Porque longe é fácil a gente se ignorar, mas e frente-a-frente? O problema é a vontade de ter isso tudo, constante. Em mim, eu sei que você evita.
São tantas dúvidas que me assolam, Pedro, que eu acho impossível haver mais alguma certeza, além do sentimento que eu tenho sempre por esse tanto de pessoas que agora me doem. Algumas dessas dúvidas só você pode matar, por exemplo, será que você sente a minha falta como eu sinto a sua? Sou parte importante da sua vida, gosta de mim, se importa comigo ainda? Eu sempre vou. E se eu falar disso para alguém, sei que vão me achar idiota; na verdade, parece que estão sempre me achando, talvez eu seja. Mas eu tenho tanto medo que, se eu não continuar sendo o que eu sempre fui contigo, se eu me afastar, você me esqueça por completo. Que descubra que eu sou assim, uma pessoa substituível. É que talvez eu seja.
Quer saber como é a sensação de estar sozinha no mundo, não conseguir se abrir com ninguém, sentir-se a caminho da câmara de gás toda vez que se sai da cama, como se o mundo todo conspirasse contra você? Bem, imagine morrer lentamente, perdendo um pedaço de si a cada dia. É assim que as coisas estão.
Chegou tudo num ponto onde eu preciso fazer coisas só para chamar atenção, e eu odeio quem faz isso. Mas pelo menos assim eu sou percebida. Sempre quis ser invisível, e agora que as pessoas fingem que eu sou, quero que me enxerguem. Até a alma.
Penso constantemente no quão maçante eu sou, o incômodo que eu causo para as pessoas. Pela primeira vez na vida, só me sinto confortável, segura, protegida em casa. Porém a falta de ocupação ali tem me trazido pensamentos horríveis, sabe. Mórbidos. Sim, Pedro, eu tenho pensado constantemente na morte. Isso soa depressivo, eu sei, mas é o que acontece. Todos os dias eu penso em como seria um alívio ter uma doença que deixasse meus dias contados, e um tumor é meu preferido. Eu já não tenho muitas expectativas na vida; quando olho pro futuro, a única coisa que importa é a Anita. Apego-me à lembrança de alguém que nem existe...
Estou tão cansada de tentar consertar as coisas e, depois, de fingir que está tudo bem. Nunca está, meu querido. Passei tanto tempo tentando ajudar os outros com as suas vidas que esqueci de me preocupar comigo, e agora tudo desmoronou. Até você eu perdi... talvez ainda não por completo, mas esse é o rumo que as coisas estão tomando. Quero aproveitar enquanto essa perspectiva não se torna um fato e escrever-lhe algumas coisas. Nem sempre boas, freqüentemente despedidas, que talvez não cheguem a ser entregues. O que importa não é que você leia; mas que eu escreva. É importante para mim.
Tenho uns dias muito filhos da puta. Deveriam ser bons dias, mas nem os melhores dias são realmente bons. Sempre sinto sua falta, mais do que todas as outras faltas, porque com você é uma questão de não-ver, não-tocar, não-ouvir. Porque longe é fácil a gente se ignorar, mas e frente-a-frente? O problema é a vontade de ter isso tudo, constante. Em mim, eu sei que você evita.
São tantas dúvidas que me assolam, Pedro, que eu acho impossível haver mais alguma certeza, além do sentimento que eu tenho sempre por esse tanto de pessoas que agora me doem. Algumas dessas dúvidas só você pode matar, por exemplo, será que você sente a minha falta como eu sinto a sua? Sou parte importante da sua vida, gosta de mim, se importa comigo ainda? Eu sempre vou. E se eu falar disso para alguém, sei que vão me achar idiota; na verdade, parece que estão sempre me achando, talvez eu seja. Mas eu tenho tanto medo que, se eu não continuar sendo o que eu sempre fui contigo, se eu me afastar, você me esqueça por completo. Que descubra que eu sou assim, uma pessoa substituível. É que talvez eu seja.
Amor,
Tarsila.
Tarsila.