quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Presença de Anita

"Quando se sente que o amor acabou só nos resta o exílio.
Exílio de palavras e gestos. E a piedade porque não há nada mais tocante e patético do que não amar quem nos ama.
Meu Deus! Eu preciso viver um novo amor, uma grande paixão! Dessas que nos arrastam violentamente. Nos esmagam sem piedade. Nos fazem sofrer com a felicidade porque temos medo de perdê-la."

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pedro,

Eu não ostento orgulho algum ao dizer que você é ainda uma ferida aberta e que provavelmente nunca se fechará. Ao menos não enquanto seu nome ecoar no frio cortante – ah, que brega – da sua ausência. Não me soberbo ao dizer que conservo, dolorosamente, todo amor que nutri por você um dia, em todos os bons dias, que perdemos.
As coisas nunca mais serão as mesmas, se é que algum dia chegou a haver realmente alguma coisa. Prefiro sempre acreditar que sim, que tudo agora é só uma conseqüência quase que inevitável em uma relação entre razão e emoção, sendo os representantes de cada lado bastante óbvios, porque eu prefiro acreditar que eu não me entreguei a uma mentira; que eu não sofri por uma falsidade.
Mas, se era mesmo tão fundo, tão forte, tão verdadeiro, como chegaria a esse ponto?
Só por essa noite, eu decidi não me culpar. Eu decidi que se algo me deve ser atribuído, é apenas o que possibilitou haver uma proximidade tão grande, tão intensa. Apenas – e digo, apenas – o que houve de bom. Essa noite eu vou extravasar toda a minha arrogância e culpar apenar você pelo fim; porque eu quis falar, somente. E você, que tão altruísta se propôs a me ouvir, não agüentou ficar simplesmente lendo o que eu precisava exprimir. Você não agüentou ter tudo aquilo te jogado na cara, dilacerando a sua soberba, sua superioridade. Não pôde suportar ter a sua maturidade tão fixa, tão completa, esquartejada pela pseudo sombra de maturidade de uma criança de dezesseis anos. E sim, estou te chamando de imaturo e estou te julgando: é bom estar do outro lado, Pedro? Eu não acho. É isso que eu estava tentando dizer, eu não gostava do outro lado, do lado que você criava pra mim.
E o outro lado, como não poderia ser diferente, cansou-me. Simples assim: cansei, e cansei demais. Mas eu não conseguia nem considerar a idéia de ter um Pedro distante, um Pedro que não fosse o meu Pedro, aquele que me chamava de Soulmate e me mandava mensagens pra me acordar, às 5h40 da manhã. O que me abraçava e me chamava de Ursinha e dizia o quanto eu era linda sob a chuva e sentia vontade de me ligar enquanto jogava video-game só para me culpar quando perdesse. Que mentia sobre a saudade, ao mesmo tempo em que deixava bem clara a sua existência. Eu sinto a falta do Pedro que eu conheci, que durou durante algum tempo depois da quebra mas que se esvaiu aos poucos, repentinamente, tão repentinamente quanto veio. Quanto ficou. E aí, quando isso aconteceu, eu percebi que tentar me acostumar a essa falta era o mais exaustivo de tudo o que eu já tinha experimentado, que não haveria nenhuma margem de comparação possível.
Não consigo nunca lidar bem com a perda, mas consigo me acostumar com ela depois de um tempo. Eu já perdi muito, Pedro, o suficiente pra sentir que a sua perda não é como as outras. E você chega a dizer que a única coisa que foi perdida é a relação on-line. Infelizmente, era o que mais nos unia, apesar das brigas; se depender de telefonemas, quando os seus virão? E de visitas, então, quando você virá? Quando quitará suas “dívidas” para comigo? Não seria muito longe da verdade dizer que nunca, e você sabe. Tanto que, se eu já não estivesse tão despedaçada para agüentar outra rejeição, eu pediria – eu imploraria que você os fizesse.
Queria poder não dizer nenhuma palavra amorosa pra você, nada que pudesse, senão te enojar, te lisonjear. Eu queria não estar sempre aos seus pés, eu queria que você não me tivesse como tem. Mas não posso evitar, não agora, não depois de tudo. Eu não queria dizer a primeira frase do próximo parágrafo, mas se a negasse seria uma caluniadora tão grande que poderia ser queimada na fogueira, se vivêssemos ainda nos tempos da Idade Média e, portanto, não posso evitar expô-la.
Eu sinto a sua falta.

E é culpa sua que isso aconteça.