sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tapa na cara

Não sei como, por quê, muito menos onde, mas hoje definitivamente caiu a ficha: sou vestibulanda ano que vem. Ainda tenho dúvida entre duas carreiras, uma relativamente fácil de entrar, de renda dependendo da intensidade de trabalho, digamos que média, que ainda me abre a oportunidade de outras faculdades ainda em "juventude"; a outra, concorridíssima, de formação demorada, que exige uma entrega imensa à profissão mas traz uma renda ótima.
Falo sobre a faculdade de Letras e Medicina, respectivamente. Seja como for, exijo que meus estudos do ensino superior se dêem em uma faculdade pública: dá-lhe USP. Ambas me agradam e me assustam, cada qual num aspecto distinto mas que se encontram no aspecto humano. O contato com as pessoas - sim, formada em Letras me tornaria professora, invariavelmente seguindo os passos de meus pais; fica aí um fato para aqueles que ainda não sabem, você se parece muito mais com eles do que imagina - é um requisito obrigatório em qualquer profissão que eu vá seguir. Jamais me imaginaria trancada numa sala, trabalhando com números e intrumentos, sendo o máximo de contato interpessoal a relação chefe-subordinado.
Quero marcar a vida de alguém fazendo algo direito. Envolver-me nessa ligação profunda que um médico da especialização que eu gostaria, Oncologia, tem com seu paciente, tanto quanto um professor pode ter a simpatia extrema de seus alunos, como eu tenho com alguns professores.
O que me interessa mais é fazer as coisas com maestria, não importa a escolha. Já pesei o futuro como profissional da saúde e como educadora. Claro que não depende só de mim, mas também não é de todo independente; também posso mudar de idéia bem no meio do caminho. Só espero, um dia, acertar na minha decisão, achar aquilo que me faça bem, realizada. Pelo menos a minha escolha já é limitada, passa longe das ciências exatas e cai num abismo de humanas, com uma pendência leve às biológicas. Pessoas, pessoas.
Enfim, é normal ter dúvidas. Eu invejo aqueles que sabem desde pequenos o que querem fazer. Meu sonho infantil parece bobo, como tudo que tivemos quando criança começa a parecer quando crescemos, quando nos damos conta de que aquele tempo já passou - queria ser escritora. Tento, tento, não me acho boa o suficiente, não confio em mim. Escrevo porque gosto, não porque eu ache que alguém vá gostar, bem ao contrário. Não sou a Clarice, a Lygia, a Cora, nem posso ser, não tenho esse dom de penetrar tão fundo em minha própria essência e espelhar a de outras pessoas: eu sou as banalidades. Aflições comuns, alegrias comuns. Mas humanas.
E se continuar tão humana, devo dizer que sinto muito, minha ciência biológica, mas meu sangue é escrito.